A confirmação de que o Ministério da Saúde não consegue controlar o dinheiro repassado aos municípios, principais operadores do SUS, deixa muito mal o ministro Temporão, que declarou ser preciso enfrentar sem subterfúgios o "subfinanciamento do SUS". Só com as cifras de 2008 e o montante repassado até agora em 2010 (faltam os dados de 2009) temos R$ 43,5 bilhões destinados só a essa rubrica na Saúde, cuja utilização é um mistério. Ficam comprovadas igualmente a falácia e a irresponsabilidade dos governadores que defendem a recriação da CPMF porque também eles não sabem e nem controlam o que os seus municípios fazem com as verbas do SUS. É com esse pano de fundo que se desenha a retomada do assalto ao bolso do contribuinte via restabelecimento da CPMF.
A declaração da presidente eleita, Dilma Rousseff em sua primeira entrevista de que não poderia ignorar a pressão dos governadores pela CPMF, foi espantosa.Os governadores e os presidentes, eleita e em exercício, podem estar sinceramente convencidos de que sem a CPMF não é possível financiar a Saúde, que na realidade ela pouco financiou - mas só poderiam tratar disso de tivessem defendido o imposto durante o processo eleitoral. Durante o processo eleitoral e querendo encantar e atrair o voto do cidadão, não tiveram coragem de dizer que estavam sendo pressionados e muito menos que estavam pressionando quem quer que seja pelo imposto.Naquele momento a promessa era só alegrias. Por isso a CPMF é inaceitável. Só pode propor o imposto agora quem teve a coragem de defendê-lo quando estava no palanque e assumiram em público a sua posição.
O que está faltando há muitos anos nesses políticos é: clareza, transparência, responsabilidade e vergonha na cara.
Samico.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
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