segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ANVISA QUER BANIR DO MERCADO OS PRINCIPAIS REMÉDIOS PARA EMAGRECER

Proibição de emagrecedores, além de ferir as liberdades individuais, é uma ameaça à saúde de 16 milhões de brasileiros que, por questões de ordem biológica, precisam de remédio para emagrecer e pode causar perda milionária.
A polêmica envolvendo a comercialização ou não dos inibidores de apetite, que será levada a consulta pública pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), contrária à venda, não mexe apenas com os ânimos de fabricantes e médicos endocrinologistas. Movimenta também uma considerável cifra no mercado farmacêutico.
Tomando como base um levantamento de 2009 da agência reguladora, que mostra que mais de cinco toneladas de anorexígenos foram consumidas naquele ano, o faturamento médio dos fabricantes chega à casa dos R$ 350 milhões anuais. A classe médica rechaça a proposta da Anvisa de cancelar o registro da sibutramina e anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazidol) e alega que, dessa forma, ficará sem qualquer alternativa para prescrever medicamentos no auxílio ao emagrecimento.
Os argumentos, tanto a favor da proibição quanto da manutenção desses medicamentos no mercado, são diversos. O órgão regulador se baseia em um estudo realizado pela Agência Europeia de Medicamentos que aponta aumento de problemas cardiovasculares entre os pacientes tratados com sibutramina, bem como uma evolução dos riscos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Segundo a chefe do Núcleo de Investigação em Vigilância Sanitária da Anvisa, Maria Eugênia Cury, não há motivos que justifiquem a continuidade no uso desses remédios. “A discrepância entre a segurança e os benefícios são grandes. Nenhum deles se colocou como mais benéfico do que outro a ponto de ser liberado”, afirmou.
Embora contrária à intenção da Anvisa de proibir a comercialização dessas substâncias, a classe médica concorda com os perigos do uso indiscriminado dos medicamentos.
Apesar disso, especialistas sustentam que a suspensão é uma medida extrema. Isso porque, desde março do ano passado, a Anvisa tornou a venda de sibutramina mais rigorosa, com a exigência de retenção da receita médica na farmácia. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, proibir o uso de anorexígenos deixa pacientes obesos sem alternativas de tratamento, o que pode elevar à busca por cirurgias bariátricas, conhecidas como redução de estômago.
No fim do ano passado, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia(SBEM), com a colaboração de outras quatro organizações médicas, elaborou diretrizes para o tratamento farmacológico da obesidade e do sobrepeso, com base em uma ampla revisão da literatura científica sobre os medicamentos para emagrecer.
O mal maior no excesso regulatório da ANVISA está em querer se assenhorear do poder de decisão individual e se tornar o Juiz de última instância sobre o que é bom ou ruím para cada um de nós.
Samico

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