Das aparentes diferenças entre os dois governos, o do Lula e este da Dilma, a mais significativa delas é a sua disposição ao corte de despesas.
Lula reagia até meio irritado quando lhe propunham cortar gastos; o ministro Mantega que o diga, pois foi, por diversas vezes, obrigado a desdizer suas declarações públicas. Da última vez foi ao final do mandato de Lula obrigado a desmentir cortes que seriam feitos ao PAC. Até a própria presidente, recém eleita, deixou de fazer comentários a respeito.
Agora não, até ao contrário, o ministro Guido Mantega anunciou um corte de 50 bilhões no Orçamento deste ano e teve o pronto apoio da Presidente. Também, pudera! A inflação deu um salto e tudo indica não será nada fácil frear uma alta maior.
Não será fácil também encurtar gastos já que este governo de certa forma é uma continuidade do anterior – Dilma era a executora da administração Lula. Mas a ficha deve ter caído nela, pois a volta de uma inflação alta seria a desgraça do seu governo e, por conta disso, teve que ouvir, e aceitar, os argumentos do seu ministro.
Um dos itens na despesa que mais cresceu no governo Lula foi o gasto com o funcionalismo público. De uma despesa de 75 bilhões em 2003 – primeiro ano de Lula – passou para 184 bilhões em 2010. Esse aumento de mais de 100 bilhões na despesa com funcionalismo nos dois governos de Lula é mais do que o dobro do corte proposto agora (50 bilhões) para diminuição dos gastos. Um bom corte nessa despesa deveria ser a primeira coisa a ser apresentada. Nesse item apenas foi dito que não haverá mais contratações, por enquanto.
Se no PAC, aquele grande programa de investimentos feito para lançar a atual presidente como candidata do governo à Presidência, não terá cortes, os cortes serão feitos, na sua maioria, nos demais investimentos, então. Ou seja, nas emendas dos parlamentares; que não deixam de ser obras necessárias espalhadas por todos os cantos do Brasil.
Os produtores rurais brasileiros precisam botar as “barbas de molho” porque na Argentina quando Kirchner não conseguiu mais frear os gastos criou um novo imposto (retenciones) sobre os produtos de exportação como a soja, milho e carnes. A preocupação advém de uma boa safra que se prevê no Brasil agora, especialmente com a soja. É preciso, então, lembrar à Presidente que uma boa safra e bons preços é o melhor estímulo que os produtores precisam para aumentarem a produção no futuro. Sem essa de copiar a Argentina nesse bom momento da agricultura brasileira.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
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