quarta-feira, 2 de março de 2011

O PARAÍSO DOS POLÍTICOS CORRUPTOS.

Um grande mal assola nossa nação. Um mal evidente pelos seus efeitos, mas comumente velado em sua autoria e materialidade. A corrupção são ações antiéticas que quebram a boa-fé e violam a moralidade. É o abuso de confiança. Com certeza um crime contra a nação, mas que quase não é punido. Inadmissível que políticos usem a estrutura do Estado para satisfazer seus interesses privados e mesquinhos. E o que não faltam no Brasil são casos torpes de nepotismo, lavagem de dinheiro, suborno, tráfico de influência, exploração de prestígio, dentre outras mazelas.
Os efeitos da corrupção atingem diretamente o povo. Casas não são construídas, saneamento básico não chega aos que mais necessitam. Hospitais não são construídos, ambulâncias não são compradas; o SUS é ineficaz para atender a demanda. Trabalhadores sofrem com o desemprego. Cidadãos não são conscientizados; escolas não oferecem estrutura e professores são mal remunerados.
De acordo com informações da Controladoria Geral da União, entre 2001 a 2008, estima-se que por causa da corrupção, os prejuízos chegaram a ordem de R$ 3,3 bilhões aos cofres públicos – dinheiro que deveria ser restituído ao Estado apenas em relação a irregularidades apuradas em processos. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, a economia brasileira perde cerca de 10, 5 bilhões por ano em razão da corrupção.
No entanto, efetivamente, não se tem dados eficazes que revelem quantos bilhões circulam nos meandros da corrupção. Aquilo que sabemos com certeza é que os poderes do nosso Estado Democrático estão infestados de bandidos. Como sanguessugas provocam sangrias de bilhões e aos poucos matam a vitalidade da economia e do desenvolvimento social.
A polícia até atua no combate à corrupção, quando ela mesma não é protagonista. A imprensa noticia, desnuda as tramóias, revela a operacionalidade dos mensalões e até mostra o dinheiro sujo colocado em maletas ou cuecas. Faz isso bem, quando age com imparcialidade, cumprindo a sua função social de bem informar. Mas a imprensa também cria casos, aponta culpados onde só existem inocentes, em prol de interesses escusos.
Alguns bodes expiatórios são presos, noutro dia, chovem habeas corpus e tudo não passa de uma noite em cela especial. Os mentores, os chefões, esses parecem ser intocáveis. O foro privilegiado é imoral, a Justiça é morosa, ao invés de fazer o que é certo e virtuoso, contribui para a impunidade.
Não há escândalos que derrubem os malditos. Não tem Justiça que puna e os coloque atrás das grades. São muitos os casos de corrupção, todavia são pouquíssimos (irrisórios) os casos resolvidos que culminam nas devidas punições. O Brasil é o paraíso dos corruptos


Corrupção: a promiscuidade da cultura brasileira.
 
Desde a gênese do Estado brasileiro, lá estava a corrupção. Na colônia de exploração, lá estavam os atravessadores, sonegadores e os piratas. Propina, subornos e coisas ilícitas viraram rotina. Já na monarquia, a corrupção se entranhou nas cúpulas do poder. O rei controlava o Legislativo e o Judiciário, comprava-se e vendia-se leis e sentenças, não muito diferente dos dias atuais.
E não demorou muito para a corrupção se tornar parte da cultura política. O sistema aprendeu a ser corrupto e pouco sofreu abalos em suas estruturas nos últimos séculos. Políticos aprenderam muito bem a mentir e omitir, a fazer circular dinheiro ilegal, fruto da desonestidade e infâmia. Tornaram-se mestres na arte da “cara-de-pau” e do cinismo.
Com a República, a situação piorou. Corrupção se tornou ferramenta essencial para manutenção do “status quo” - a dominação da elite sobre o povo alienado. As bases políticas da constituição do Estado Democrático de Direito foram fundamentadas em politicagem, falsas promessas e discursos pomposos, porém demagógicos.
Hoje, o Brasil se encontra gravemente afetado em seu pleno desenvolvimento sócio-econômico por conta desse legado cultural da corrupção. Os tempos são de prosperidade, mas devemos temer os efeitos devastadores da desonestidade e impunidade em nosso país.
 
Mudança cultural: chega de corrupção.
 
Não é mais cabível ficar alheio aos casos de corrupção. Não podemos mais aceitar que bandidos tirem proveito pessoal daquilo que pertence a coletividade. É preciso uma injeção de ética, moralidade e legalidade nos poderes instituídos. Mas, sobretudo, é imprescindível punir os corruptos. Que sejam punições rigorosas. Tolerância zero.
Desmantelar a rede de corrupção na política é tarefa hercúlea. Mas temos que enfrentar os desafios. Se, realmente, desejamos uma nação democrática; se desejamos nos estabelecer no mundo como um país desenvolvido, então, outro caminho não há, a não ser o de combater a corrupção.
Como se combate a corrupção? Primeiramente, é preciso conscientização política. A população precisa se transformar em cidadãos, por sua vez, os cidadãos precisam defender a nossa nação. É importante se interessar, debater, criticar, entender e propor uma nova forma de se fazer política no Brasil.
As medidas de combate a corrupção para serem bem sucedidas dependem fundamentalmente da participação dos brasileiros. Acompanhe a vida política, informe-se sobre seus candidatos, vote consciente.
No plano estatal, é necessário instaurar regimes eficazes que dêem transparência aos gastos públicos. É crucial a prestação de contas com todo o conjunto probatório que lhe é de praxe. Outra medida importante é atuar de forma preventiva do que agir depois que o mal já aconteceu.
Leis específicas devem formar o conjunto normativo que irá punir os corruptos. Porém, por melhores que sejam as leis, somente terão valor e aplicabilidade se a Justiça atuar de forma célere e eficaz. Defendo, inclusive, que sejam criados procedimentos próprios e varas especializadas no combate à corrupção.
Temos que debater e incitar o fim do foro privilegiado. As autoridades políticas em nosso país têm o privilégio de serem julgadas pelas cúpulas do Judiciário. O político corrupto, assim como qualquer bandido, deveria ser julgado pela Justiça Comum, sendo até mesmo reduzida a possibilidade dos recursos judiciais.

A política nacional precisa passar por profundas reformulações. Fidelidade partidária é pouco. A Lei da Ficha Limpa precisa ser aperfeiçoada. Além do mais, é necessário o financiamento público das campanhas para coibir as negociatas e conchavos indecentes. Reforma política já!
Ordem e progresso não devem ser apenas os lemas da bandeira, mas precisam fazer parte da nossa cultura. O fim da corrupção é uma utopia, temos que concordar. Contudo o combate e a redução da corrupção são perfeitamente plausíveis e, sobretudo, necessários. O Brasil precisa se transformar em um verdadeiro inferno para os corruptos. O país deve ser sim um paraíso para todos os brasileiros dignos, honrados, éticos e honestos.

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